quinta-feira, julho 17, 2008

através do espelho

faz mais de um ano que eu não escrevo aqui. não quero fazer desse fato nenhum acontecimento: acho que sempre escrevi sobre mim, apesar de nunca ter adotado a forma "hoje eu...". hoje eu quero adotar essa forma porque me dei conta de que, pelo menos até o momento, não sou capaz de escrever verdadeiramente em terceira pessoa. digo: não de uma maneira que torne a leitura algo diferente ou mais rico.
ontem eu assisti um filme que, da última vez que eu escrevi aqui, eu já sabia ser bom. eu não o vi até o fim, mas mesmo assim foi algo de certa maneira marcante: buenos aires 100km vem mais ou menos do mesmo lugar que eu e, por mais evidente que isso seja o tempo todo, para mim isso mostra que existem coisas que vão além do que o uma legenda consegue reproduzir e que essas coisas são essenciais para a formação de um indivíduo. talvez seja por isso que eu goste de padrões com pequenas falhas ou detalhes escondidos: não serve comunicar diretamente, pelo menos não quando se trata de comunicar a um grande número de pessoas; é preciso criar uma pequena rede com cada um que vê/lê/escuta/toca/degusta o que se quer mostrar.
eu, em primeira pessoa, como eu disse no primeiro parágrafo, me senti incrivelmente bem assistindo a esse filme por conseguir achar
nele pequenos detalhes que fazem parte de mim, mas que muitas vezes ficam perdidos no meio de exentricidades, particularidades, detalhes pessoais. o fato de os personagens preencherem todas as lacunas de seu discurso com palavrões, as mãos chacoalhando, os cabelos mal penteados e a sesta até às 16h: são coisas de um país onde não vivi mais do que quatro anos, mas que sempre me envolveu com grandes alegrias e tristezas - mesmo quando eu dizia ser brasileira.

não sei se é por uma tentativa possivelmente em vão de me adaptar aos termos de comunicabilidade do mundo que não é o de alvarez, mas tenho objetivos sérios de continuar desenvolvendo este post por mais outros seis, para tirar os eventuais leitores da ignorância no que tange à autora deste texto e seus compromissos pessoais com a argentina; assim como sobre o que concerne a buenos aires 100km e a outros detalhes que provavelmente passaram batidos.

3 comentários:

álvaro disse...

que bonito pretzel! eu nunca tinha visto vc falar com tanta propriedade sobre sua terra natal (e nem com tanta propriedade sobre a língua acadêmica), mas no que tange a sua disposição inicial de continuar escrevendo, seu comportamento tem se mostrado diametralmente oposto à intenção. :)

C.J. disse...

Estamos aguardando as demais tentativas de exploração das miríades que é alvarez!

Graciela disse...

Me parecio muy lindo ese texto!
G.A.