domingo, dezembro 24, 2006

comprei um sapatênis e uma vaca

às vezes a saudade é uma coisa maldita, que, como qualquer outro tipo de frustração, serve para colocar o indivíduo que a sente em uma espécie de estagnação, num estado de impedimento. toda e qualquer coisa que venha a me passar pela frente vai me lembrar do objeto saudoso, daquilo que está longe e, sim, de veras impedido. saudade é um sentimento cretino, que tenta imitar a condição alheia, de estar longe, de não poder se curtir - no sentido de que o outro, coitado, que não está perto de mim, não pode fazer nada comigo; então eu, muito gentil, não faço nada comigo mesma também. fico em casa, olhando pra parede, tentando ler e não chegando nunca ao fim da página porque seria descaso de mais com ele, que não pode ler comigo. na realidade a saudade não é um sentimento nada voltado ao outro: eu quero que ele volte porque meu livro está muito interessante e eu quero terminar de lê-lo.


este texto foi postado sem qualquer tipo de edição, num dia quente de fim de ano, baseado na dor de cabeça que sentia. de literário ele nada tem, mas a descrição do sentimento talvez tenha algo de válido. muito obrigada e feliz natal.

2 comentários:

Rafaella Marques disse...

cheia de sutileza...linda...as always!
saudade de vc.

| n o k i d e s | disse...

gosto muito desse post